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A realidade urbana da inserção em uma “selva amazônica”, da cidade de Macapá, localizada no Norte do país, cria, a princípio, uma expectativa de vínculos ambientalmente harmônicos e culturalmente ricos de relações socioambientais. Os fatos empíricos observados, entretanto, destacam carências estruturais: as ruas são áridas e desprovidas de arborização e de sistemas de drenagem adequados ao clima, a pavimentação asfáltica impermeabiliza o solo e nega a relação com o substrato natural. Ao mesmo tempo, a forte presença de um traçado urbano em malha ortogonal e regular, de origem colonial, apresenta-se como guia da urbanização que avança tanto sobre os espaços formais quanto informais.
A urbanização contínua é balizada pelos processos de segregação socioespaciais, visíveis para o caso de Macapá, por uma aparente dicotomia entre as “áreas de terra firme” e as áreas de terras úmidas como, por exemplo, as alagáveis — chamadas “ressacas” — que abrigam a habitação popular informal.
Como levantado por Pope (2015), a formação de tecidos urbanos abertos acaba por produzir formas que são essencialmente fechadas e exclusivas, e o substrato natural permanece descolado do processo de urbanização dentro desta lógica. Ao mesmo tempo, Risério (2012, p.13) nos alerta que devemos “alargar ou mesmo subverter o conceito ocidental-moderno de cidade, que é certamente incapaz de dar conta de todo o espectro de fatos e aspectos encontráveis na universalidade da experiência urbana”.
Este artigo destaca os principais aspectos e agentes relacionados com o processo de construção histórica da ocupação do território frente às pré-existências urbanas e ao substrato natural na cidade de Macapá. Para tanto, a análise parte de uma revisão bibliográfica histórica local e internacional, conjugada à análise cartográfica. A abordagem percorre os campos de conhecimento do desenho urbano, topologia, morfologia e geomorfologia urbana, pois, possibilitam a comparação dos resultados esperados entre si e sua confrontação à realidade empírica existente.
O resultado preliminar do trabalho é que, resgatando a perspectiva científica da conformação urbana como um produto histórico-social, para o estudo de caso, passa-se a ampliar o entendimento do funcionamento das formas herdadas, recriadas e as novas consequências da malha isotrópica no tecido urbano na Amazônia. A revisão do entendimento da malha enquanto dispositivo e ferramenta do processo de urbanização visa aprofundar o entendimento sobre sua relação com o substrato natural, de maneira a subsidiar outros novos entendimentos para a concepção de projetos urbanos e planejamento das cidades na Amazônia
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