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O acelerado processo de urbanização sofrido pelos países sul americanos pode ser observado nas grandes metrópoles desiguais, excludentes e com graves problemas ambientais. O colonialismo, o rentismo e o neoliberalismo vêm conformando uma organização territorial baseada no modelo centro-periferia estruturado em diversas escalas. Isso indica a necessidade de pesquisas que considerem a dimensão multiescalar da produção do espaço, uma vez que o território se constitui como um elemento fundamental na promoção de sociedades mais equitativas. As particularidades da produção do espaço sul americano requerem um olhar próprio que considere as especificidades do nosso processo e da nossa cultura. Neste sentido, acredita-se que apesar dos processos de produção do espaço dos países sul americanos apresentarem muitas semelhanças quando analisados em uma escala macro, existem diferenças que só podem ser percebidas a partir da escala micro. Assim, à medida que se aproxima da escala da rua e da travessa, as capacidades de resistência, os tempos e as singularidades de cada lugar se tornam mais reconhecíveis e distinguíveis nas espacialidades do cotidiano. Isso demonstra a necessidade de se avançar nos estudos realizados na "escala do cotidiano" que ajudem a perceber elementos de identidade especialmente no contexto periférico.
Acredita-se que a análise dos espaços livres públicos seria capaz de revelar as especificidades nos modos de apropriação da cidade, dependentes do contexto cultural de cada país. Frente a isto, este trabalho busca analisar os processos de produção e/ou apropriação de dois espaços livres públicos em países sul americanos, a partir de dois estudos de caso, primeiro brasileiro e o segundo equatoriano, com o objetivo de identificar as particularidades do papel do espaço livre público como um ativador/aglutinador da organização social nestas comunidades. Para isto, utiliza-se a definição de espaços livres como todo espaço descoberto, livres de edificação, onde se observa que a apropriação destes espaços se consolida através do dinamismo das redes de colaboração locais e da capacidade dos atores de reinterpretar o espaço urbano e a relação estabelecido com a natureza, a partir de ações socioculturais. As leituras buscam articular singularidades e generalidades, cruzando informações coletadas em campo com leituras contextuais de cada lugar. E assim, construir um panorama a partir de elementos e fenômenos importantes presentes nos cotidianos e apropriações públicas dos espaços livres que possam realçar as similaridades entre os casos, apresentando-os individualmente e permitindo a relação com o cenário maior da América do Sul. Ao destacar as similaridades sem conceder uma explicação generalizante, permite-se que surjam bases para análises mais aprofundadas das particularidades de cada caso, mas considerando-as parte do quadro geral sul americano. Espera-se que as considerações aqui apresentadas indicam a relevância da discussão dos padrões urbanísticos de produção do espaço sul americano, como importantes locais de ação social, econômica, política e cultural. Através da apreensão do cotidiano pelas práticas sociais nos espaços livres periféricos se espera apontar caminhos para uma construção coletiva do que esses lugares podem ser, quais potenciais existem, na perspectiva da cidade como espaço democrático, ainda que desigual, imperfeito e em constante de transformação.
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