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Resumo

As ações de controle do tracoma requerem medidas de vigilância e atenção à saúde por meio de inquéritos clínico-epidemiológicos de busca ativa para diagnóstico e tratamento oportunos de casos e seus contatos. Para avaliação e monitoramento do desempenho das ações, considera-se o indicador de positividade para a doença, que evidencia o percentual de casos de tracoma no total de pessoas examinadas.

Objetivos

Analisar o perfil epidemiológico do tracoma assim como o perfil operacional de desenvolvimento das ações de controle no contexto do estado do Ceará ao longo do período de 2007–2021 com ênfase no planejamento para qualificação do programa estadual.

Metodologia

Estudo ecológico de base populacional estadual, a partir de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará com foco no período de 2007–2021. Esses dados são oriundos a partir de inquéritos escolares e domiciliares para detecção do tracoma por exame ocular externo. Estimou-se o percentual de positividade pelo diagnóstico clínico entre as pessoas examinadas. Foram analisados fatores sociodemográficos e clínico-epidemiológicos, além de padrões operacionais de controle, com distribuição temporal e espacial da doença. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética do Hospital São José de Doenças Infecciosas, Secretaria de Saúde do Estado do Ceará.

Resultados

Verificou-se aumento da cobertura das ações de vigilância e controle do tracoma em municípios cearenses, de 12,5% em 2007 para 55,9% em 2019, com restrição no contexto de pandemia por covid-19 (em média, 8,0%). A estimativa de positividade do tracoma (positividade global média) foi 10,0% foi verificada nas regiões Litoral Leste/Jaguaribe e Sertão Central, maioria por tracoma inflamatório folicular (98,1%, IC95% 98,0–98,2; 55.554/56.612).

Conclusões/Considerações

O tracoma se manteve endêmico no estado do Ceará no período do estudo, mesmo com o provável sub-registro verificado. Apesar dos avanços das ações de vigilância e controle, observa-se persistência da fragilidade operacional das ações de vigilância em saúde. Esse fato compromete o reconhecimento da magnitude e distribuição do tracoma no estado limitando ações fundamentais para planejamento, monitoramento e avaliação das ações de vigilância e controle.

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Eixo Temático
  • Eixo 12 - Informação, Comunicação e Saúde: diálogos sobre novos cenários e desafios para a Saúde Coletiva