DETERMINANTES DA IDEAÇÃO SUICIDA EM TRABALHADORES E TRABALHADORAS: UMA ABORDAGEM DE MODELAGEM COM EQUAÇÕES ESTRUTURAIS

Vol 2, 2022 - 161051
Relato de Pesquisa
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Resumo

Os processos que (re)produzem coletivamente o suicídio necessitam de relevo e devem ter concentração em aspectos como diferenças de gênero e condições da vida, além da organização do trabalho, suas condições e estressores, enquanto matrizes importantes de sofrimentos. Compreender o suicídio ocupacional, é reconhecer a degradação do tecido social do trabalho e como os modos de produção o definem.

Objetivos

Avaliar os efeitos diretos e indiretos dos fatores determinantes da ideação suicida em trabalhadores(as), considerando a sua insatisfação global (INSAT) como exposição principal.

Metodologia

Estudo transversal, com dados da segunda onda de uma coorte da população urbana, com 15 anos ou mais de idade (n=4.170), de Feira de Santana-BA, Brasil. O modelo estrutural incluiu a variável resposta ideação suicida (item 17 do Self-Reporting Questionnaire); pela variável latente INSAT, com indicadores do WHOQOL-bref e Organização Mundial de Saúde; pelas variáveis diretamente observadas: estresse ocupacional (EO), mensurado pelo Effort-Reward Imbalance, gênero, renda mensal, prática de atividades de lazer e vivência de violência física/emocional. Foi elaborado Gráfico Acíclico Direcionado, com INSAT como exposição principal. A modelagem de equações estruturais foi processada no Mplus.

Resultados

Participaram do estudo 1.629 trabalhadores(as). A prevalência de ideação suicida foi de 5,8%, com predominância em mulheres, menor renda, vivência de violência, não praticar atividades de lazer, maior nível de insatisfação, alto esforço, comprometimento excessivo no trabalho. Apresentaram efeitos diretos significantes para ideação suicida: gênero feminino (β=0,137; p-valor=0,015), vivência de violência física/emocional (β=0,238; p-valor=0,001) e maiores níveis de insatisfação global (β=0,452; p-valor

Conclusões/Considerações

Diferenças de gênero e econômicas, estresse ocupacional e histórico de violências sofridas são importantes determinantes da ideação suicida em trabalhadores(as). A insatisfação global foi relevante mediador das relações estruturais estabelecidas. Reconhecer a presença do suicídio em tralhadores(as) representa espólio que cristaliza um modelo de produção degradante e, por isso, é continuamente invisibilizado pelas forças hegemônicas que o definem.

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