CONSUMO DIÁRIO INADEQUADO DE FRUTAS E HORTALIÇAS E FRAGILIDADE EM IDOSOS BRASILEIROS E INGLESES: ACHADOS DAS COORTES ELSI-BRASIL E ELSA

Vol 2, 2022 - 160775
Relato de Pesquisa
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Resumo

A fragilidade é uma síndrome geriátrica multifatorial e dinâmica que vai além dos fatores nutricionais e biológicos, pois reflete também piores fatores socioeconômicos individuais e contextuais. Considerando que a Agenda 2030 propõe a melhoria da nutrição e a diminuição de desigualdades entre países, o estudo da nutrição e fragilidade em diferentes contextos de envelhecimento torna-se importante.

Objetivos

Investigar as diferenças no consumo diário de frutas/hortaliças na fragilidade entre idosos brasileiros e ingleses, participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) e do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA).

Metodologia

Foram utilizados dados transversais do ELSI-Brasil, incluindo 5.432 participantes com ≥60 anos da linha de base (2015-16) e 6.423 participantes da onda 8 (2016-17) do ELSA. A fragilidade foi definida por ≥3 itens positivos de um fenótipo, incluindo perda de peso, fraqueza, lentidão da marcha, exaustão e baixa atividade física. O consumo de frutas/hortaliças ≤5 porções/dia foi definido como inadequado. Utilizou-se a regressão de Poisson para estimar o número médio de componentes do fenótipo de fragilidade por unidade das variáveis (exp [β]) e Intervalos de Confiança de 95% (IC 95%), considerando o termo de interação entre países, ajustado por características sociodemográficas e de saúde.

Resultados

A prevalência de fragilidade foi significativamente maior nos idosos brasileiros (13,7%) do que em ingleses (10%). Mais do dobro dos idosos brasileiros (48,2%) apresentaram consumo inadequado de frutas/hortaliças em comparação aos ingleses (20,2%). O consumo inadequado de frutas/hortaliças aumenta em 16% o número esperado de componentes da fragilidade (exp [β]=1,16; IC 95%=1,05-1,29) apenas na Inglaterra. A probabilidade predita de fragilidade no Brasil permanece em torno de 12,0%, independentemente do consumo de frutas/hortaliças. Essa probabilidade é semelhante a dos idosos ingleses apenas dentre aqueles com consumo inadequado de frutas/hortaliças (11,8%) (IC 95%=9,7-14,0).

Conclusões/Considerações

As diferenças entre os países destacam que fatores nutricionais são melhores na Inglaterra e associados à fragilidade, enquanto que no Brasil, as desigualdades socioeconômicas parecem ser mais relevantes para a diminuição da fragilidade. Entretanto, o pior consumo alimentar generalizado entre idosos no Brasil reforça a promoção da alimentação saudável, já que é um fator modificável essencial para outros indicadores de saúde.

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  • Eixo 06 - Saúde em um mundo globalizado, o diálogo Sul - Sul e a Agenda 2030