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As precárias condições de trabalho do Agente Comunitário de Saúde (ACS) na pandemia impactaram diretamente na sua condição de saúde. A manutenção dos ACS nas unidades de saúde sem acesso a EPI em quantidade e qualidade suficientes e a ausência de informação e formação para lidar com a COVID-19 intensificaram o adoecimento e sofrimento psíquico, exacerbando sintomas como ansiedade, medo e insônia.
Objetivos
Analisar os impactos da pandemia da Covid-19 nas condições de trabalho e saúde dos Agentes Comunitários de Saúde nos municípios do Rio de Janeiro (RJ), São Gonçalo (RJ), São Paulo (SP), Guarulhos (SP), Fortaleza (CE) e Maracanaú (CE).
Metodologia
A 3ª e última fase da pesquisa é de abordagem qualitativa. As 2 primeiras fases foram quantitativas, participando mais de 2000 ACS de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza, Guarulhos, São Gonçalo e Maracanaú. Realizamos 2 grupos focais online no final de 2020. O primeiro com a participação de 9 ACS dos 6 municípios, tendo como critérios de inclusão a participação nas 2 etapas anteriores; fazer parte do perfil predominante dos participantes (mulheres pretas e pardas, entre 30 a 49 anos); e ter informado sinal ou sintoma associado à Covid-19. O segundo grupo teve 5 ACS dirigentes sindicais de entidades organizadas de SP, Guarulhos, RJ e Fortaleza, indicados pelos sindicatos regionais.
Resultados
Ao analisar a saúde dos ACS durante a pandemia, é preciso considerar que o adoecimento e o sofrimento psíquico, com consequente aumento do uso de psicotrópicos, foram agravados pelas precárias condições de trabalho. Dentre as condições de trabalho que impactaram no sofrimento, os ACS relataram: sobrecarga de trabalho; acúmulo de funções; aumento de demandas em função do afastamento de profissionais adoecidos sem a devida recomposição da força de trabalho; desproteção devido a distribuição insuficiente e inadequada de EPI; falta de informação sobre a Covid-19 que instrumentalizasse as ações de educação em saúde e permitisse a proteção dos ACS e falta de acolhimento e apoio da gestão.
Conclusões/Considerações
A correlação direta entre condições de trabalho e de saúde na pandemia reafirmou a urgência do planejamento e apoio da gestão, com orientações que norteassem as ações estratégicas dos ACS no autocuidado e no enfrentamento da doença. Diante do sofrimento psíquico é necessário rever os processos de trabalho e buscar alternativas de tratamento não restritas à medicalização, mas que promovam o cuidado ampliado e o acolhimento desses trabalhadores.
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