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Apresentação

Editorial

ENTRE A MÁQUINA E NAS LUTAS

Alexandre Silva Nunes

Daniel Reis Plá

Katya Souza Gualter

 

O presente volume traz a publicação dos trabalhos completos relativos às comunicações e apresentações performativas realizadas durante a XII Reunião Científica da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós Graduação em Artes Cênicas - ABRACE, ocorrida na Universidade Federal de São João Del Rei - UFSJ, entre os dias 27 e 30 de setembro de 2024, ano do centenário da incursão modernista às cidades históricas do estado (1924). O tema geral do evento foi elaborado a partir da referência ao poema “A máquina do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade, publicado originalmente em “Claro Enigma” (1951): “O Que Podem as Artes Cênicas Entre a Máquina do Mundo e as Lutas Pela Terra?”. Este tema fomenta reflexões e diálogos sobre a potência das artes cênicas diante da Máquina do Mundo, metáfora das engrenagens que movem Mundos e Seres Coabitantes, em defesa das lutas pela terra, como também do processo técnico-mundializante que se apossa do mundo.

Percebe-se um desencantamento crescente do mundo, que corrobora a fábula de que a realidade pode se reduzir a explicações totalizantes, concebidas a partir de políticas de exclusão, genocídio e extermínio de povos, bem como por um modelo científico positivista que funciona para dar continuidade à máquina de um mundo que tende ao autoextermínio, sem capacidade de responder à atualidade do saber e aos problemas que o mundo contemporâneo apresenta. Nesse contexto, os trabalhos da XII Reunião Científica da ABRACE buscaram pensar as demandas das artes nas relações dos movimentos mundializados e maniqueístas em contradição a duas percepções sobre a terra: 1) enquanto Natureza e referindo-se à fertilidade, nutrição e acolhimento de todos os seres, na promoção do reconhecimento da abundância que o planeta nos oferece; 2) enquanto território, referindo-se à organização e ao uso do espaço, habitado e defendido por um determinado grupo de pessoas, ligadas entre si física, social e culturalmente.

Ao se colocar ao lado de questões como estas, a atual gestão da ABRACE assumiu uma posição política e social de crítica à exploração econômica dos povos, em favor de uma terra partilhada com justiça, e se propôs a pensar o que podem os artistas ligados à cena no presente cenário. Desta forma, a Reunião Científica buscou também repensar o papel das artes cênicas na resistência aos processos de colonização e apagamento de grupos e singularidades, fazendo contrastar a pluralidade de visões e entendimentos estéticos e artísticos com relação aos fundamentos totalizantes.

A presente publicação se estrutura no estreitamento de experiências compartilhadas nos Fóruns (Pós-graduação em Artes Cênicas, Licenciaturas e dos Docentes da Educação Básica, Pesquisas em Processo, Graduação, Acessibilidade Cultural, Extensão em Artes Cênicas), Mesas Temáticas, Grupos de Pesquisadores e de Trabalho. Os textos incitam a reinvenção de escritas, a partir de debates e proposições que deslocam memórias em tempos e espaços, potencialmente invocadoras de saberes/fazeres sobre a prática das artes cênicas em um contexto globalizado e tensionado pelas forças da máquina do mundo em contraponto às lutas pela terra.

Na contramão das dicotomias, trilhando caminhos possíveis para vencê-las, os trabalhos observam a importância do caráter interativo e dos modos de fazeres conjuntos, trazendo à tona discussões, ações políticas e normativas legais fundamentais para os avanços das Artes Cênicas no Brasil, sob as visões das/os suas/seus produtoras/es pesquisadoras/es

Gráficos

Trabalhos por eixo

Realização

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Apoio

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Financiamento

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