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Nas últimas décadas, o mundo vem sofrendo transformações profundas, que têm não só marcado o perfi l da população, mas têm também mudado as prioridades em termos de políticas públicas e investimentos. Em contrapartida a este contexto de mudanças, deparamos com a persistência de velhos problemas, como a pobreza e a desigualdade, ainda que reconheçamos que esforços estejam sendo despendidos no sentido de eliminá-los, ou pelo menos reduzilos. No Brasil, a situação não é diferente e, de fato, percebe-se que a inserção no chamado mundo globalizado tem se dado de forma assimétrica, com custos maiores recaindo sobre grupos populacionais específi cos, tais como mulheres e grupos étnicos − população afrodescendente, indígena, entre outros.

O ano de 2009 marca o 15º aniversário da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento e nos lembra dos cinco anos que faltam para a realização dos compromissos estabelecidos no Cairo.

Conforme sabemos, o Programa de Ação do Cairo está fundamentado na afi rmação dos direitos humanos de todas as pessoas, na necessidade de se empoderar as mulheres, cujos direitos têm sido tão frequentemente negados, e 8 Prefácio no envolvimento dos homens, além de reconhecer o papel central dos jovens no processo de desenvolvimento.

Como agência líder na implementação do Programa de Ação do Cairo, o UNFPA aproveita esta oportunidade para celebrar o que foi conquistado e também usa esse marco para identifi car lacunas e desafi os, consolidar lições aprendidas nos últimos 15 anos e sugerir recomendações práticas para acelerar o progresso.

O escopo e a profundidade da implementação do PoA requerem a participação de uma ampla coalizão de atores, organizações da sociedade civil e governos, instituições de pesquisa, associações regionais, parlamentares e agências internacionais. Nossa ênfase tem sido não apenas na construção de capacidades individuais, mas principalmente no fortalecimento das capacidades institucionais. Apostar na construção de capacidades institucionais abre espaços para que instituições como a Abep possam aportar subsídios importantes para a consecução de metas acordadas pela comunidade internacional durante a CIPD.

Esta publicação resulta de um seminário em que se buscou revisitar alguns temas da agenda do Cairo. Refl exões foram feitas sobre saúde reprodutiva, gênero, juventude e envelhecimento, migrações, população e desenvolvimento, que mostram a trajetória brasileira rumo à consecução ou não do que se propôs durante a CIPD: uma vida mais digna e mais equitativa para a população do planeta.

Taís de Freitas Santos
Representante Auxiliar do Fundo de População das Nações Unidas

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