Sobre

A Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep) realizou, entre 20 e 24 de setembro de 2010, nas dependências do Hotel Glória, em Caxambu, Minas Gerais, o seu XVII Encontro Nacional de Estudos Populacionais. No conjunto de atividades que a Abep vem realizando desde 1978, esse evento, organizado a cada dois anos, ocupa lugar central e constitui uma oportunidade única para divulgação, atualização e intercâmbio do conhecimento demográfico, não só entre pesquisadores nacionais e internacionais, como também entre especialistas de outros setores e de órgãos governamentais e não governamentais, que têm os temas populacionais como elemento básico em suas atividades.

O eixo temático escolhido pelo Comitê Científico para o XVII Encontro Nacional de Estudos Populacionais foi a relação entre população e desenvolvimento, tendo como meta a sustentabilidade, o bem-estar e o respeito aos direitos dos indivíduos. Também foram abordadas diversas outras questões direta ou indiretamente relacionadas ao tema central. Cerca de 350 trabalhos foram apresentados em sessões temáticas ou como pôsteres. Realizaram-se, ainda, 15 mesas redondas e três plenárias. O programa incluiu, como já acontece há vários encontros, uma palestra de abertura, que neste evento foi proferida pelo professor Gavin W. Jones, da Universidade Nacional de Singapura.

Este volume, publicado dentro da coleção de livros eletrônicos da Abep, intitulada Demografia em debate, repete uma parceira bem-sucedida do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) com a Abep, iniciada no encontro anterior. O objetivo central é fazer com que a maior parte das questões, ideias e resultados discutidos nos cinco dias de encontro científico seja reunida em única publicação, de acesso gratuito a todo público, pelo sítio eletrônico da Associação. No presente volume, a diretoria da Abep optou por um formato um pouco distinto do utilizado anteriormente. Em vez de convidarmos alguns pesquisadores para refletir sobre o conteúdo debatido durante o Encontro, foram os próprios palestrantes das mesas redondas, plenárias e sessão de abertura que sintetizaram suas ideias em artigos assinados. A missão era transmitir os principais pontos abordados durante suas apresentações, em trabalhos de poucas páginas e linguagem direta. Como 6 Demografia em Debate v.4 Nota dos organizadores ficará claro para o leitor, o objetivo foi alcançado, o que faz deste trabalho um registro documental do atual estado da arte das ideias sobre as questões populacionais no Brasil.

Assim, os textos de Gavin Jones, George Martine e Eduardo Rios-Neto abordam o debate tradicional da relação entre população e desenvolvimento, além de integrar novas relações a este tema, decorrentes das mudanças demográficas e do desenvolvimento das atuais agendas nas áreas de direitos humanos e meio ambiente. Massimo Livi-Bacci, Marcia Castro e Rosario Cárdenas apresentam alguns dos atuais desafios para a demografia no século XXI, bem como uma reflexão sobre as novas bases de dados, as inovações metodológicas e o tipo de treinamento necessário para a formação dos futuros pesquisadores da área. Tratando especificamente do Censo de 2010, Wasmália Bivar, Leila Ervatti, José Alberto M. de Carvalho e Elisabete Bilac discutem as mudanças introduzidas nos instrumentos de coleta da principal base de dados do país e suas potencialidades para a análise da dinâmica populacional brasileira.

Nas seções do livro elaboradas a partir das mesas redondas, Neide Patarra, Rosana Baeninger e Marcia Sprandel promovem uma discussão sobre a relação entre migrações internacionais e os direitos humanos, em especial como as políticas migratórias devem ser definidas no sentido de garantir os direitos dos migrantes. Heloísa Costa e Eduardo Marandola Jr. apresentam o debate sobre os efeitos das mudanças ambientais nas populações urbanas, as incertezas envolvidas neste processo e sua relação com os conceitos de vulnerabilidade e desigualdade. Em seguida, Cristiane Soares, Joanílio Teixeira e Ivan Targino abordam a relação entre a dinâmica demográfica e o desenvolvimento socioeconômico no Nordeste do Brasil.

Em outro conjunto de artigos, Elza Berquó, Sandra Garcia, Maria Coleta Oliveira e Massimo Livi Bacci apresentam suas reflexões teóricas e análises empíricas sobre a chamada segunda transição demográfica, com foco, principalmente, nos novos padrões demográficos de nupcialidade e fecundidade no Brasil e nos países desenvolvidos. Carmem Campos, Maria Coleta Oliveira e Hildete de Melo refletem sobre a igualdade de gênero tanto na esfera pública quanto na privada, do ponto de vista teórico e político. Na seção que trata dos impactos das mudanças nas famílias sobre o mercado de trabalho, Lilia Montali expõe os resultados de sua pesquisa sobre a relação família-trabalho durante a segunda metade dos anos 2000 e Simone Wajnman discute a relação entre os arranjos familiares e as mudanças e limites nos diferenciais de rendimento por sexo. Maria Helena Mueller e Paula Miranda-Ribeiro abordam o papel dos jovens no diálogo político e a construção de políticas públicas para este grupo etário, em um país cuja população envelhece rapidamente. Finalmente, Rodrigo Soares, Mônica Andrade, Cristina Rodrigues e Ana Carolina Maia tratam do impacto das políticas sociais e das mudanças demográficas nos indicadores de saúde dos brasileiros e os futuros desafios para o sistema público de saúde do país.

Divulgando estes trabalhos, a Abep busca contribuir para a construção e o fortalecimento da agenda científica na área de estudos populacionais. Esperamos também que as análises direcionem Demografia em Debate v.4 7 Nota dos organizadores o desenvolvimento de políticas públicas na promoção da equidade. Por fim, não poderíamos deixar de agradecer aos autores pelos excelentes trabalhos e pelo entusiasmo e prontidão para a realização da tarefa que lhes foi proposta. Gostaríamos também de fazer uma menção especial ao apoio do UNFPA no processo de elaboração deste livro.

Cássio M. Turra
Vice-presidente da Abep, 2011-2012

José Marcos Pinto da Cunha
Presidente da Abep, 2011-2012

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