Sobre

O seminário Até onde caminhou a revolução de gênero no Brasil? Implicações demográficas e questões sociais, que se dedicou à análise do estado atual das desigualdades de gênero no Brasil, ocorreu em dezembro de 2015, numa troca entre diversas áreas de conhecimentos, unidas pela Demografia em sua interseção com os estudos de gênero, ambos campos interdisciplinares. Seu principal objetivo foi debater o estado do conhecimento sobre as transformações na condição das mulheres brasileiras em diferentes dimensões, considerando os descompassos possíveis entre avanços, permanências e retrocessos. Foi parte das atividades do grupo de trabalho População e Gênero, da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP), e realizado em colaboração com o Grupo de Estudos de Gênero da Fundação Carlos Chagas (FCC).

A mesa de abertura se constituiu em oportunidade para homenagear a demógrafa Professora Emérita Elza Salvatori Berquó, uma das fundadoras da ABEP e do GT População e Gênero. Os depoimentos de Cassio Maldonato Turra, presidente da ABEP, Glaucia Marcondes, integrante do GT e pesquisadora do Núcleo de População “Elza Berquó” da Unicamp, e Rubens Murillo Marques, presidente de honra da FCC, destacaram o pioneirismo, a vitalidade e o compromisso institucional e político que marcam as várias fases da carreira da pesquisadora homenageada e a inspiração intelectual e pessoal que tem representado para muitas gerações. Em sua fala, a professora Elza Berquó relembrou suas pesquisas, destacando a mais recente sobre juventude realizada em parceria com a FCC. A abertura contou também com a presença de Tatau Godinho, secretária de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica das Mulheres da Secretaria de Políticas para as Mulheres no governo Dilma Rousseff, que abordou os desafios da promoção da igualdade de gênero na atualidade.

As três mesas que se seguiram reuniram especialistas com longa experiência nos estudos de gênero, que se debruçaram sobre o desafio de entender o encadeamento nas últimas décadas e as tendências recentes em diferentes dimensões das relações de gênero, incluindo as temáticas do trabalho e educação femininos, a condição das mulheres nas famílias e os trabalhos domésticos e de cuidado. Através da reflexão crítica, de refinado tratamento teórico e da mensuração de diversas áreas da vida social, os textos evidenciam a centralidade das questões de gênero para a demografia e para as ciências humanas e sociais. Além da qualidade dos trabalhos, há de se ressaltar seu diálogo em face da sua reunião em mesas temáticas, o que contribui para o enriquecimento do debate acadêmico.

Agradecemos a todas as pessoas que participaram do seminário e em especial aos autores dos artigos deste livro. Pudemos contar com o apoio imprescindível da Ana Paula Pyló na secretaria da ABEP e o profissionalismo e presteza de Fabiana Grassano e Flávia Fábio da Traço Publicações e Design. Não poderíamos deixar de registrar e agradecer a Gláucia Marcondes e Luciene Longo, coordenadoras do GT no biênio 2013-2014, que participaram decisivamente na construção da proposta do seminário e foram interlocutoras constantes nas atividades que antecederam e sucederam o evento. Outro apoio fundamental foi da Fundação Carlos Chagas, que cedeu o espaço e infraestrutura para realização do seminário em seu auditório, bem como acolheu a proposta de confecção desta publicação. Para esse evento, pudemos contar com o apoio financeiro do CNPq e para esta publicação em especial, da CAPES, os quais agradecemos.

Entre o seminário de 2015 e a publicação deste livro em 2016, surge Antônio Miguel, primeiro filho de Arlene Ricoldi e um pouco afilhado de todos nós. A ele e às novas gerações dedicamos a obra, na certeza de que a reflexão intelectual e o ativismo político constantes são um motor indispensável para avançar na igualdade de gênero e na igualdade social. Esta é uma forma de agradecer e compartilhar não apenas a riqueza dos textos mas também dos intertextos, os laços de solidariedade e amizade que se teceram ao longo desta jornada.

Nathalie Reis Itaboraí e Arlene Martinez Ricoldi Coordenadoras do GT População e Gênero no biênio 2015-2016

abep