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Este estudo analisa, a partir da literatura sobre adolescentes brasileiros, de que modo a experiência prévia de trabalho infantil pode estruturar a iniciação no tráfico de drogas. Parte-se do entendimento de que a participação de adolescentes no tráfico não deve ser lida apenas como ato infracional, mas também como expressão de desigualdades estruturais, inserção precoce em mercados de trabalho precários, fragilidade da proteção social e restrição de oportunidades educacionais e laborais. Metodologicamente, trata-se de uma revisão de escopo com síntese narrativa, conduzida com apoio da plataforma Elicit, voltada ao mapeamento de estudos qualitativos e de métodos mistos sobre trajetórias de entrada de adolescentes brasileiros no tráfico, com atenção específica ao papel do trabalho infantil. Os achados indicam que o trabalho infantil atua como fator de risco por diferentes mecanismos: normalização da precariedade, adultização precoce, incorporação do papel de provedor, exposição a redes sociais ligadas ao mercado ilícito e comprometimento das trajetórias escolares. Conclui-se que o enfrentamento do problema exige políticas intersetoriais voltadas à erradicação do trabalho infantil, permanência escolar, proteção social, redução da letalidade juvenil e respostas não exclusivamente punitivas no âmbito da justiça juvenil.
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