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A Educação de Jovens e Adultos (EJA) configura-se, no ordenamento jurídico brasileiro, como modalidade de ensino destinada a sujeitos privados de escolarização na idade própria. Dessa forma, a modalidade apresenta-se como uma política afirmativa de direitos, voltada à reparação de trajetórias educacionais de coortes populacionais marcadas pela exclusão estrutural. Situando-se no campo da Demografia da Educação, este trabalho analisa o contraste entre uma importante demanda potencial e a contínua retração das matrículas na EJA, tomando o estado de São Paulo como estudo de caso. O objetivo é analisar as continuidades e mudanças no perfil de estudantes da modalidade entre 2010 e 2025, diante das tendências demográficas e das políticas educacionais implementadas no período. A metodologia integra a análise teórico-conceitual das dimensões do direito à educação com análise descritiva de dados dos Censos Demográficos (2010 e 2022) e do Censo Escolar (2015-2025). Os resultados evidenciam a persistência de um contingente expressivo de população sem educação básica completa no estado, concentrado entre os mais velhos, mas continuamente realimentado pelo fluxo de jovens que deixam a escola sem concluir o ensino médio. Esse estoque convive com uma queda acentuada das matrículas a partir de 2018, mais intensa entre os jovens, ao mesmo tempo em que a alfabetização passa a ser a etapa mais frequentada da modalidade. Desse modo, a retração das matrículas parece refletir menos um esgotamento da demanda do que limitações na sua identificação e captação, o que tensiona os preceitos de acessibilidade e adaptabilidade do direito à educação.
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