RISCO DE AUTOMAÇÃO E A FORÇA DE TRABALHO SÊNIOR NO BRASIL: UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL DE GÊNERO E REGIÃO

Vol. 23, 2024 - 337867
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Resumo

Como o risco de automação se distribui entre a força de trabalho sênior brasileira e de que maneira as intersecções de gênero e território condicionam essa vulnerabilidade tecnológica? O presente estudo objetiva analisar a vulnerabilidade ocupacional da população de 50 anos ou mais diante da transição tecnológica, mensurando as probabilidades de exposição ao alto risco de substituição. Para tanto, utilizam-se os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2024. A classificação ocupacional apoia-se na abordagem de conteúdo de tarefas. A estratégia empírica emprega um modelo de regressão logística, avaliando a interseccionalidade entre sexo e macrorregião, com controles para escolaridade e idade. Os resultados revelam que 59% dos trabalhadores seniores encontram-se alocados em postos de alto risco rotineiro, sendo a baixa instrução o principal agravante estrutural. Identifica-se uma expressiva vantagem relativa feminina frente à mecanização, justificada pela concentração histórica das mulheres em serviços interpessoais e de cuidados. Contudo, evidencia-se que essa resiliência é geograficamente heterogênea: a proteção ocupacional das trabalhadoras sofre forte retração em mercados menos dinâmicos, como o Norte e Nordeste, aproximando sua vulnerabilidade à dos homens, grupo que registra o pico de risco de automação (69,1%) no parque industrial e agropecuário da região Sul. Tais evidências demandam a formulação de políticas públicas de mercado de trabalho descentralizadas e atentas à sobreposição de vulnerabilidades. Recomenda-se a implementação de programas de requalificação contínua e estratégias de transição ocupacional desenhadas sob medida para as vocações produtivas regionais, visando mitigar a inatividade precoce e garantir a sustentabilidade do envelhecimento ativo perante o novo paradigma tecnológico.

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Instituições
  • 1 Programa de Pós-Graduação em Economia (PPE), Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
  • 2 Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDEM), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Temática
  • Trabalho, Tecnologia e Ciclo de Vida: Ocupações e Economia do Cuidado
Palavras-chave
Risco de automação
Força de trabalho sênior
Interseccionalidade
Demografia econômica
Mercado de trabalho