O CUIDADO FAMILIAR DENTRO E FORA DO DOMICÍLIO: UMA ANÁLISE DE GÊNERO SOBRE A POPULAÇÃO FORA DA FORÇA DE TRABALHO EM SÃO PAULO

Vol. 23, 2024 - 338807
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Resumo

O objetivo deste estudo é analisar o perfil dos cuidadores familiares (residentes e/ou não residentes no mesmo domicílio) no estado de São Paulo que estão fora da força de trabalho, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019. O contexto brasileiro é marcado pela centralidade da família na provisão de cuidados a crianças, idosos e enfermos, uma responsabilidade que recai desproporcionalmente sobre as mulheres devido à insuficiência de serviços públicos e mudanças demográficas, como o envelhecimento populacional. Os resultados indicam que cerca de 13,17 milhões de pessoas com 14 anos ou mais realizaram cuidados familiares no estado de São Paulo. Destes, 26,3% estavam fora da força de trabalho, sendo que a frequência feminina supera 73% em todos os grupos de cuidadores. O impacto do cuidado na trajetória profissional é distinto: para as mulheres, as responsabilidades domésticas e de cuidado são o principal motivo para não buscar emprego (43,5% no grupo residente), concentrando-se em idades reprodutivas e produtivas (25-39 anos). Para os homens, o motivo predominante é o desinteresse em trabalhar, frequentemente associado à aposentadoria (acima de 60 anos). Diferenças marcantes também aparecem na posição domiciliar: enquanto mulheres cuidadoras residentes são majoritariamente responsáveis pelo domicílio ou cônjuges, os homens nessa categoria são predominantemente filhos (40,24%). No arranjo misto (residente e não residente), quase metade das mulheres são chefes de família (46,75%), evidenciando uma sobrecarga de gestão e cuidado. O trabalho reforça que o cuidado atua como uma barreira precoce e persistente à autonomia financeira feminina, enquanto para os homens o papel de cuidador ocorre enquanto permanecem como filhos no domicílio de seus pais ou quando alcançam as idades mais avançadas (60 anos e mais). Tais evidências buscam subsidiar políticas públicas que promovam a redistribuição mais justa do ônus do cuidado.

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Instituições
  • 1 UFRN
  • 2 Nepo/Unicamp
Temática
  • Trabalho, Tecnologia e Ciclo de Vida: Ocupações e Economia do Cuidado
Palavras-chave
cuidadores familiares residentes
cuidadores familiares não residentes
déficit doméstico
geração sanduíche
trabalho invisível