O ADIAMENTO DA MATERNIDADE E A TRANSIÇÃO REPRODUTIVA NO RIO DE JANEIRO: UMA ANÁLISE DAS TAXAS ESPECÍFICAS E RAZÕES DE PROGRESSÃO (2000-2020)

Vol. 23, 2024 - 338975
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Resumo

O comportamento reprodutivo da sociedade brasileira tem passado por transformações estruturais profundas ao longo das últimas décadas, caracterizando um cenário de transição demográfica avançada e acentuadamente heterogênea. Em paralelo ao declínio do nível geral de fecundidade (efeito quantum), observa-se a consolidação de um consistente adiamento da maternidade (efeito tempo), fenômeno que remete aos postulados teóricos da Segunda Transição Demográfica. O estado do Rio de Janeiro posiciona-se historicamente como um precursor dessas transformações no cenário nacional, exibindo padrões reprodutivos que antecipam as tendências do restante do país. O presente trabalho busca avaliar o fenômeno de compressão da natalidade e as variações na propensão de constituição e ampliação das famílias de acordo com o curso de vida das mulheres fluminenses. Para tanto, caracteriza-se como uma pesquisa quantitativa, descritiva e analítica, fundamentada nos dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Ministério da Saúde, além de dados do Censo Demográfico e das Projeções Populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram calculados indicadores demográficos clássicos, como a Taxa Bruta de Natalidade (TBN), a Taxa Geral de Fecundidade (TGF), a Razão Criança-Mulher (RCM) entre outros, estimada a estrutura de parturição por meio do método de Razões de Progressão de Parturição (RPP) e aplicado o Método P/F de Brass ajustado aos dados censitários de 2010. Entre os principais resultados,  observou-se uma expressiva contração na fecundidade. Identificou-se que a dinâmica populacional fluminense opera em níveis substancialmente abaixo da reposição (2,1 filhos por mulher). O adiamento da maternidade se manifesta na queda da natalidade em idades jovens e aumento nas maduras. Tais mudanças exigem ajustes urgentes nas políticas públicas (saúde materno-infantil, educação, previdência e seguridade social) devido ao envelhecimento populacional e ao rápido fechamento da janela de oportunidade demográfica.

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Instituições
  • 1 ENCE/IBGE
  • 2 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Temática
  • Preferências Reprodutivas, Direitos e o Debate Pós-Natalista no Brasil
Palavras-chave
Adiamento da maternidade
Transição demográfica
FecundidadeFecundidade
Rio de Janeiro
Razões de Progressão de Parturição (RPP)