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Este trabalho analisa a violência de gênero no Brasil a partir de uma perspectiva demográfica, articulando território, desigualdades estruturais e invisibilidade estatística. Parte-se da categoria analítica “morrer sem contar” para compreender como a subnotificação e as diferenças entre registros institucionais e experiências de violência autorreferidas contribuem para a invisibilização do fenômeno. A estratégia analítica é descritivo-comparativa e contextual, integrando informações do Atlas da Violência, do Censo Demográfico 2022, das pesquisas Visível e Invisível (2021-2025) e da Pesquisa Nacional de Vitimização (2013). O território constitui o eixo de articulação das diferentes fontes, permitindo comparar a distribuição da violência letal e não letal e sua relação com características socioeconômicas e demográficas dos contextos analisados. Os resultados evidenciam concentração territorial diferenciada da violência, heterogeneidade segundo características demográficas e discrepâncias entre a violência registrada institucionalmente e aquela identificada por pesquisas de vitimização. A denominada cifra oculta do crime é compreendida como a parcela das experiências de violência não captada pelos registros institucionais, sendo dimensionada de forma complementar pelas pesquisas de vitimização. Conclui-se que o enfrentamento à invisibilidade estatística deve constituir um eixo estruturante da sustentabilidade do sistema de proteção social nos próximos 50 anos da demografia brasileira, garantindo que o direito à vida não seja condicionado por privilégios geográficos.
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