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O contraste entre os modelos econômicos da Bahia e de Minas Gerais no século XIX evidencia duas formas distintas de organização produtiva no Brasil imperial. A Bahia estruturava-se segundo o padrão da plantation agroexportadora, centrada na monocultura açucareira em larga escala no Recôncavo e fortemente dependente do mercado internacional. Essa dependência tornava sua economia vulnerável às oscilações dos preços globais e à concorrência externa, especialmente de Cuba e do açúcar de beterraba europeu. O sistema era sustentado por uma base escravista e por uma elite de senhores de engenho que articulava poder político e econômico para preservar o trabalho cativo e manter a competitividade externa. Por outro lado, Minas Gerais, após o declínio da mineração, desenvolveu uma estrutura baseada nas fazendas mistas, caracterizadas pela diversificação produtiva e pela orientação ao mercado interno.
Essas unidades combinavam agricultura, pecuária e atividades de transformação, produzindo tanto para o autoconsumo quanto para a circulação regional. Em certa medida, aproximavam-se da lógica da oikos da Grécia Antiga, funcionando como microssociedades organizadas em torno da autoridade familiar e da relativa autossuficiência. Entretanto, essa autossuficiência não significava isolamento. As fazendas mineiras estavam inseridas em redes regionais de comércio, articuladas por tropeiros e negociantes, que permitiam a circulação de excedentes e a integração entre diferentes áreas da província. Assim, a economia mineira configurava-se como um modelo híbrido, que conciliava produção doméstica, trabalho escravo e inserção em mercados internos dinâmicos. Esse arranjo revela uma estrutura complexa, que desafia a dicotomia entre economias voltadas exclusivamente ao mercado interno ou externo..
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