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Este artigo propõe um novo método de decomposição da variação da esperança de vida em populações não estáveis, incorporando explicitamente os efeitos da migração e das dinâmicas populacionais. Métodos tradicionais de decomposição assumem populações estáveis, nas quais as taxas de mortalidade são calculadas a partir de exposições consistentes ao longo do tempo. No entanto, em contextos marcados por crescimento populacional, migração ou mudanças de composição, essa suposição é violada, gerando inconsistências entre o número de óbitos (numerador) e a população exposta (denominador).
Para superar essa limitação, o estudo combina duas abordagens de estimação da mortalidade: o método baseado em óbitos observados e o método iterativo com taxas de crescimento corrigidas. A partir dessas estimativas, desenvolve-se um procedimento de decomposição que separa a variação da esperança de vida em três componentes: (1) mudanças na sobrevivência, associadas à variação nos óbitos por idade; (2) mudanças na estrutura populacional, captadas pelas taxas de crescimento etárias; e (3) um componente residual atribuído à migração.
O método também é estendido para decomposição por idade, permitindo identificar as contribuições específicas de cada grupo etário para as mudanças na esperança de vida, sem depender da ordem de decomposição. A abordagem é aplicada a dados dos Estados Unidos entre 1999 e 2019, demonstrando que a variação da esperança de vida resulta não apenas de melhorias na mortalidade, mas também de mudanças na dinâmica populacional e dos fluxos migratórios.
Os resultados indicam que a migração pode ter efeitos substanciais, inclusive compensando perdas potenciais na esperança de vida decorrentes de outras mudanças demográficas. Conclui-se que, em populações dinâmicas, a consideração explícita da migração e da estrutura populacional é essencial para interpretar corretamente tendências de mortalidade. O método proposto amplia o arcabouço analítico da demografia ao oferecer uma decomposição mais consistente e aplicável a contextos reais de instabilidade populacional.
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