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Este trabalho analisa a interface entre população e transformações ambientais a partir do paradigma da Justiça Climática, focando nos impactos de projetos energéticos de larga escala na Amazônia brasileira. Inserido no debate sobre a emergência climática e as políticas de mitigação, o estudo investiga o “paradoxo da transição energética”: como empreendimentos concebidos como "energia limpa" podem aprofundar injustiças socioambientais e vulnerabilidades demográficas locais. Utilizando uma abordagem de métodos mistos que combina um levantamento domiciliar representativo (N=500) na área urbana de Altamira com a análise temática de 19 entrevistas em profundidade, a pesquisa examina a percepção social e a redistribuição de riscos e benefícios. Os dados quantitativos revelam uma "geografia da injustiça", na qual 79,6% dos respondentes identificam impactos negativos sobre populações tradicionais (pescadores), enquanto os benefícios são percebidos como capturados por fluxos migratórios e pela nação. As evidências qualitativas documentam o que atores locais denominam como uma "pandemia humana" — um estado permanente de instabilidade socioterritorial, insegurança alimentar e ruptura de modos de vida tradicionais decorrente do ciclo “surto-declínio” (boom-bust). O estudo destaca como a segregação socioespacial nos Reassentamentos Urbanos Coletivos (RUCs) exacerba a “pobreza energética” e patologias sociais, desafiando a legitimidade das políticas ambientais que ignoram o “sedimento social” da infraestrutura. Conclui-se que uma transição climática justa exige a identificação precisa dos grupos em situação de risco e o fortalecimento da autonomia territorial frente às pressões do capital externo.
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