ENTRE O OLHAR E A PRESENÇA: a observação participante como fronteira paradigmática na Demografia

Vol. 23, 2024 - 338784
Apresentação Oral - Etapa 1
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Resumo

A Demografia, historicamente consolidada como disciplina de forte orientação quantitativa, tem ampliado seu repertório metodológico ao incorporar técnicas qualitativas como entrevistas semiestruturadas e grupos focais. Contudo, persiste uma lacuna relevante: a quase ausência da observação participante como ferramenta sistemática para compreender práticas sociais que estruturam comportamentos demográficos. Este trabalho discute sua pertinência metodológica a partir de experiências preliminares em pesquisa com igrejas evangélicas favoráveis à diversidade sexual em Belo Horizonte.

A reflexão se ancora nas contribuições de Hammel (1990) e Bernardi (2007), que defendem a integração entre teoria antropológica e análise demográfica. Com base em anotações de campo sobre iniciação sexual e união conjugal, argumenta-se que a observação participante revela dimensões inacessíveis por entrevistas. A recepção ao pesquisador — expressa em saudações, convites e formas de acolhimento — evidencia que sua presença é interpretada, constituindo parte do próprio processo de produção dos dados.

Assim, a interferência do pesquisador não deve ser entendida como viés, mas como componente analítico que ilumina a (re)produção de marcadores de inclusão, pertença e identidade em comunidades religiosas, especialmente entre sujeitos historicamente marginalizados. A experiência empírica também mostra que a posição do pesquisador oscila entre insider e outsider, sendo atravessada por fatores como raça, gênero e repertório religioso, que produzem acessos e expectativas diferenciados.

Essa oscilação reforça a importância da reflexividade e da explicitação do lugar de fala, ainda pouco incorporadas pela Demografia. Nesse sentido, a observação participante permite operacionalizar de forma mais complexa as condições de produção dos dados, integrando percepções, afetos e práticas. Ao articular presença do pesquisador e reflexividade, essa abordagem amplia o repertório investigativo da disciplina e evidencia que a experiência vivida é constitutiva da produção do conhecimento demográfico.

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Instituições
  • 1 Cedeplar/UFMG
  • 2 Cedeplar, UFMG
Temática
  • GT POPULAÇÃO E GÊNERO
Palavras-chave
Métodos Mistos
Observação Participante
Demografia Antropológica
Curso de Vida
Religião