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Este artigo analisa a invisibilidade estatística da população trans no Brasil a partir da articulação entre demografia, geografia crítica e transfeminismo. Parte-se da hipótese de que a ausência de dados oficiais sobre identidade de gênero não apenas limita a compreensão das dinâmicas populacionais, mas também reproduz desigualdades estruturais no espaço urbano. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza teórica e analítica, baseada em revisão bibliográfica e análise documental, com destaque para os dossiês da Rede Trans Brasil. Os resultados indicam que a produção do espaço urbano é atravessada por normas cisheteronormativas que condicionam a mobilidade, a permanência e a sobrevivência de pessoas trans, expressando-se em padrões específicos de mortalidade, exclusão socioespacial e precarização da vida. Conclui-se que a incorporação de marcadores de identidade de gênero nas estatísticas oficiais é fundamental para a construção de uma demografia mais inclusiva e para a formulação de políticas públicas territorialmente justas.
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