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A pandemia de COVID-19 provocou uma inflexão na mortalidade brasileira, interrompendo ganhos recentes de expectativa de vida ao nascer (e0) em um contexto de desigualdades sociais e territoriais. Este trabalho investiga os efeitos diretos e indiretos da pandemia sobre a mortalidade e a e0
no Brasil e nas Grandes Regiões entre 2019 e 2024, considerando sexo, idade e raça. Foram utilizados óbitos do Sistema de Informações sobre Mortalidade e estimativas populacionais compatibilizadas com a Revisão 2024 do IBGE. O excesso de mortalidade foi mensurado pelo P-Score mensal, com linha de base de 2015–2019; para atenuar inconsistências nos denominadores associadas à reclassificação racial, aplicou-se o Método Iterativo Intercensal (MII); e as variações da esperança de vida ao nascer (e_0) foram decompostas por idade e causas de morte pelo método de Arriaga. O P-Score nacional foi de 19,8% em 2020 e atingiu 41,5% em 2021, com maior valor regional no Centro-Oeste (56,3%). Em 2024, permaneceu em 19,5%. As estimativas ajustadas pela reclassificação reduziram a e_0 da população preta em relação às obtidas apenas com o Fator F, embora resultados inesperados persistam em alguns estratos do Norte e Nordeste, evidenciando limitações adicionais do numerador. No período de maior impacto, a decomposição mostrou maior concentração das perdas da população branca em 60 anos ou mais e contribuição relativa mais expressiva das idades de 30 a 59 anos entre pretos. A COVID-19 foi a principal contribuição negativa em 2019–2021, acompanhada por doenças circulatórias, causas externas e causas mal definidas, com diferenças por sexo, raça e região.
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