DESIGUALDADES INTERSECCIONAIS DE GÊNERO E RAÇA NOS RETORNOS OCUPACIONAIS E SALARIAIS: EVIDÊNCIAS PARA O BRASIL E A ÁFRICA DO SUL NO SÉCULO XXI

Vol. 23, 2024 - 338983
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Resumo

Este artigo investiga em que medida a expansão do ensino superior atua como mecanismo equalizador dos retornos ocupacionais e salariais no Brasil e na África do Sul, considerando a articulação interseccional entre gênero e raça em 2014 e 2023. O marco teórico conta com a crítica à teoria do capital humano e mobiliza os debates sobre competição por credenciais, segregação ocupacional, divisão sexual e racial do trabalho e interseccionalidade. Para investigar esta questão, utilizam-se dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) e da Labour Market Dynamics in South Africa (LMDSA), analisados por meio de estatísticas descritivas, Análise de Correspondência Múltipla e regressões quantílicas ponderadas. Os resultados indicam que a expansão do ensino superior ocorreu de forma desigual e não se traduziu em equalização dos retornos nos dois países. No Brasil, há sinais de redução limitada das penalidades salariais em alguns grupos e segmentos da distribuição. Ainda assim, mulheres, especialmente mulheres negras, mantêm desvantagens significativas. Na África do Sul, a estrutura de desigualdades é mais rígida, com persistência da segmentação ocupacional e de penalidades salariais elevadas, sobretudo entre mulheres negras, mesmo entre os mais escolarizados. Em perspectiva comparada, a África do Sul apresenta um padrão mais rígido e persistente de desigualdade, enquanto o Brasil evidencia apenas atenuações parciais, sem ruptura com a estratificação interseccional.

 

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Instituições
  • 1 Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/UNICAMP)
  • 2 Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Temática
  • Dinâmicas Demográficas e o Mercado de Trabalho
Palavras-chave
Ensino superior
Interseccionalidade
Gênero e raça
Desigualdade social