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A migração interestadual constitui um dos principais mecanismos de redistribuição espacial da população brasileira, historicamente estruturada por um padrão concentrador associado à metropolização do Sudeste e às frentes de expansão no Norte. Este artigo analisa as mudanças recentes nesse sistema migratório a partir dos Censos Demográficos de 2000, 2010 e 2022, com base no critério de data fixa e em indicadores como saldo migratório, Índice de Eficiência Migratória e Taxa Líquida de Migração. O objetivo é examinar evidências de uma possível descentralização migratória no Brasil no século XXI, caracterizada pela coexistência entre continuidades do padrão histórico e novas formas de mobilidade territorial. Os resultados indicam estabilidade do volume total de migrantes interestaduais, combinada a mudanças significativas na geografia dos fluxos. Observa-se perda relativa de centralidade migratória do Sudeste e reversão do saldo migratório no Norte, simultaneamente ao fortalecimento do Sul como principal polo de retenção e à manutenção do papel seletivo do Centro-Oeste na redistribuição populacional. No Nordeste, verifica-se redução expressiva das perdas migratórias e aproximação do equilíbrio em alguns estados, associados ao fortalecimento de dinâmicas urbanas regionais. Destaca-se ainda a predominância da rotatividade migratória como característica da mobilidade interestadual contemporânea, expressando relativo equilíbrio entre os volumes de imigração e emigração em grande parte das Unidades da Federação. Argumenta-se que essas transformações configuram uma inflexão na lógica concentradora que marcou o sistema migratório brasileiro no século XX, contribuindo para o debate sobre a descentralização migratória e para a compreensão das novas dinâmicas territoriais da mobilidade interna no Brasil.
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