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Este trabalho analisa a migração cubana em Roraima entre 1990 e 2025, identificando três fases distintas do fluxo. Na primeira fase (1990-2012), a presença cubana em Roraima esteve associada a acordos de cooperação técnica, caracterizando-se a migração como modelo utilitarista (GRECCO, 2023). A segunda fase (2013-2021) demonstra que, com a criação do Programa Mais Médicos, em 2013, a inserção desses profissionais ganha escala nacional, mas passa a ser alvo de crescente politização ideológica. Na última fase analisada (2021-2025), observa-se a ampliação de pedidos de refúgio e outras formas de regularização, em um cenário marcado por vulnerabilidade e indefinição jurídica. Como referencial teórico, adota-se a perspectiva das migrações transnacionais (BAENINGER, 2015; 2017), a abordagem da politização das migrações (BRITO, 2013), além dos modelos migratórios (GRECO, 2023) que permitem compreender tanto as dinâmicas contemporâneas de mobilidade quanto os enquadramentos estatais que condicionam o reconhecimento jurídico dos migrantes. Do ponto de vista metodológico, a investigação adota abordagem qualiquantitativa, baseando-se na sistematização de dados oficiais extraídos de bancos de dados como Sismigra, Sisconare e STI-Mar, complementados por análise documental da legislação de refúgio e notícias de jornal. O estudo demonstra que o reconhecimento estatal não é fixo, mas politicamente condicionado, variando conforme disputas narrativas, interesses institucionais e dinâmicas internacionais. O caso da migração cubana em Roraima revela como categorias jurídicas, como trabalho e refúgio, são reconfiguradas no interior das migrações transnacionais contemporâneas.
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