“COR OU RAÇA” E “SE CONSIDERA INDÍGENA” NO CENSO 2022: EFEITOS DA MENSURAÇÃO POPULACIONAL SOBRE INDICADORES DE MORTALIDADE

Vol. 23, 2024 - 338844
Apresentação Oral - Etapa 1
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Resumo

A produção de dados sobre a população indígena no Brasil avançou nas últimas décadas, como a inclusão da categoria “indígena” na pergunta sobre “cor ou raça”. A introdução da pergunta de cobertura “se considera indígena”, nos censos de 2010 e, de forma ampliada, em 2022, representa um avanço ao captar dimensões identitárias não plenamente apreendidas pela classificação tradicional. Com isso, passam a coexistir dois universos de mensuração: um baseado exclusivamente na autodeclaração de “cor ou raça”;  e outro mais abrangente, que incorpora o “se considera”. Este estudo analisa as implicações dessas diferentes formas de mensuração para as estimativas de mortalidade da população indígena no Brasil em 2022, utilizando dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e denominadores censitários. Parte-se da constatação de que pesquisas em saúde sobre iniquidades étnico-raciais têm se baseado predominantemente na variável “cor ou raça” (por permitir comparar com as demais categorias de “cor ou raça”), sem incorporar o “se considera”. Neste estudo, foram considerados dois cenários: apenas “cor ou raça” e “cor ou raça” combinada ao “se considera”. As taxas foram padronizadas por idade pelo método direto, utilizando como padrão a população brasileira de 2022. As análises abrangeram os níveis nacional, macrorregional, estadual e municipal, sendo este último classificado segundo a proporção de indivíduos identificados pelo “se considera”. Os resultados indicam que sua inclusão amplia significativamente o contingente indígena, permitindo representação mais abrangente da diversidade e dos processos contemporâneos de identificação. Ao mesmo tempo, reduz as taxas de mortalidade estimadas, evidenciando a influência da definição do denominador e da heterogeneidade territorial sobre os indicadores. Conclui-se que o “se considera indígena” constitui um avanço fundamental na mensuração dessa população, mas seu uso exige cautela metodológica para garantir comparabilidade e interpretações consistentes.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  • 2 Universidade Federal da Grande Dourados
  • 3 Secretaria de Saúde Indígena
  • 4 Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • 5 Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz
Temática
  • Povos e Comunidades Tradicionais nas estatísticas oficiais
Palavras-chave
Povos indígenas
Indicadores de saúde
Censo 2022
"Se considera"
Mortalidade