“CADÊ MEU CELULAR? EU VOU LIGAR PRO 180”: O ATRAVESSAMENTO DA INTERSECCIONALIDADE NA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NO BRASIL A PARTIR DA PNS 2019

Vol. 23, 2024 - 338098
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Resumo

A presente pesquisa objetiva analisar a ocorrência da violência segundo a interseccionalidade de gênero, raça/cor e sexualidade no Brasil. Para atingir o objetivo proposto, utilizou-se de variáveis da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019. Diante do exposto, com a revisão da literatura e a análise dos dados, contatou-se que a violência de gênero no Brasil permanece como fenômeno estrutural, com distribuição desigual entre diferentes grupos sociais. Entre os principais achados, destaca-se a predominância da violência psicológica, com 7.955 respostas afirmativas, seguida da violência física (1.786) e da violência sexual (463). As mulheres heterossexuais, que constituem a maioria da amostra (44.608), concentraram também o maior número absoluto de ocorrências. Os dados encontrados reafirmam o espaço doméstico como locus central da violência de gênero, especialmente nas relações envolvendo homens. Observa-se especificidades relevantes entre mulheres homossexuais e bissexuais, cujo atos de violência sexual, foram praticados por pessoas desconhecidas. Além disso, a maioria das mulheres homossexuais relataram que a violência sexual ocorreu em via pública ou outro espaço público e as mulheres bissexuais, a maior parcela das violências físicas ocorreram em espaços sociais. Reforçando assim o cenário de LGBTfobia existe na sociedade brasileira. Quanto ao marcador racial, verificou-se a predominância de mulheres negras entre as entrevistadas e entre aquelas que relataram violência, especialmente entre heterossexuais, reforçando que raça/cor ainda constitui dimensão central na produção das vulnerabilidades. Em síntese, o estudo demonstra que a violência afeta diretamente as mulheres, porém não de forma homogênea, é atravessada pela interseccionalidade. Dessa forma, como bem frisa Elza Soares (2015), é necessário pegar o celular, ligar para o 180 e romper com o silêncio histórico que cerca a violência de gênero. A violência é uma luta coletiva, denuncie.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • 2 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA (PPECO), UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)
  • 3 Universidade Regional do Cariri - URCA
Temática
  • Gênero e suas interseccionalidades ao longo do tempo
Palavras-chave
Violência
Gênero
Sexualidade
Raça/Cor
Interseccionalidade