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As estimativas populacionais por sexo, idade e raça/cor são insumos estratégicos para o planejamento e monitoramento de políticas públicas. Contudo, interpolações convencionais em períodos intercensitários sofrem severas distorções decorrentes da migração e da reclassificação racial, comprometendo os denominadores de pessoas-anos de exposição e gerando taxas de mortalidade espúrias. Este trabalho propõe um procedimento metodológico em três etapas para estimar taxas de mortalidade e expectativas de vida ao nascer ajustadas para anos intercensitários entre 2010 e 2020: i) construção de tábuas de vida intercensitárias (2010–2020) via Método Iterativo Intercensal para isolar os efeitos da reclassificação e da migração na população exposta; ii) projeção da população ajustada de 2020 e interpolação dos denominadores para um ano específico (na aplicação em questão, para o ano de 2015); e iii) estimação de taxas de mortalidade e tábuas de vida anuais por sexo e raça/cor aplicadas aos casos ilustrativos do Brasil e do Maranhão. Sem o ajuste na exposição, os métodos tradicionais produziram paradoxos severos, superestimando a longevidade de pretos e indígenas frente a brancos e colapsando a população amarela para níveis biologicamente inviáveis. O método proposto eliminou essas anomalias e restabeleceu o gradiente estrutural: em 2015. As estimativas ajustadas confirmaram a maior sobrevida em amarelos e brancos e evidenciaram as desvantagens de pretos, pardos e, sobretudo, indígenas. Conclui-se que o ajuste da população exposta ao risco é indispensável para mensurar com precisão as desigualdades étnico-raciais em saúde no Brasil.
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