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Hipersexualidade na adolescência, um relato de caso
Ludmila Oliveira Maiolini
Instituto Raul Soares da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (IRS-FHEMIG)
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Crie um tópicoIntrodução: A hipersexualidade é descrita como fantasias sexuais excessivas e comportamentos sexuais de difícil controle pelo indivíduo, frequentemente associada a desfechos negativos. Este trabalho pretende apresentar um relato de hipersexualidade na adolescência, discutir seus possíveis modelos explicativos e sua relação com história de violência sexual na primeira infância. Apresentação de caso: A., 13 anos, encaminhada pelo Conselho Tutelar a atendimento psiquiátrico infanto-juvenil. Descritas fugas de casa com envolvimento em comportamentos sexuais de risco. História de abuso pelo pai aos 4 anos, quando passou a apresentar comportamento hipersexualizado e desinibido com pares, insinuação para homens mais velhos e consumo de pornografia. O quadro intensificou-se aos 12 anos, após sexarca, com atos masturbatórios em intensidade incompatível com a idade. Relatava ser acometida por desejo incontrolável por sexo. Evoluiu com fuga em que mimetizou prostituição sem ganho financeiro. Sem atrasos do neurodesenvolvimento ou alterações que sugerissem episódio de humor ou psicótico. Foi inserida em permanência dia com última prescrição de fluoxetina 20mg/dia, topiramato 100 mg/dia e risperidona 1mg/dia. Discussão: Apesar da prevalência na prática, a definição de um Transtorno da Hipersexualidade ainda é controversa. Questiona-se se os critérios propostos para a sua inclusão no DSM-5 representam de fato um transtorno clínico definido. Diversos modelos conceituais são aplicados ao comportamento hipersexualizado, como o modelo compulsivo, o impulsivo e o de adicção comportamental. Pesquisas apontam relação com abuso sexual e negligência, circunstâncias que afetariam a habilidade de regulação da excitação sexual, comportamento e engajamento em relacionamentos íntimos. Indivíduos com hipersexualidade tendem a apresentar padrões de apego inseguros e maior insatisfação com relacionamentos interpessoais. Conclusão: Após tratamento em equipe, A. não recorreu com comportamentos sexuais de risco. A ligação entre abuso sexual na infância e hipersexualidade é controversa. As alterações observadas na prática têm respaldo em teorias desenvolvimentais e neurobiológicas em crescimento.
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